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Lifan X60 - O que deu errado?

SUV uruguaio de marca chinesa foi um fenômeno no Brasil, chegando a ser o importado mais vendido do país. 


Em setembro de 2012, no auge da renovação do mercado automotivo brasileiro, com os lançamentos de Hyundai HB20 e Chevrolet Onix dentre os compactos, a chinesa Lifan, sem muita badalação assumiu as operações de sua marca no Brasil e Uruguai, até então a cargo da Effa Motors, com a proposta de revolucionar o mercado brasileiro de SUV's, que estava ganhando força e via no horizonte a possibilidade de se tornar o principal produto automotivo do mercado.

Para inaugurar as novas operações, a Lifan anunciou a chegada de seu SUV compacto Lifan X60, modelo de sucesso da marca no mundo há pelo menos quatro anos, e que já havia ensaiado uma série de aparições no Brasil durante o período da gestão Effa. O SUV foi lançado em 2013, com grande promoção na mídia, premiando quem fosse o primeiro cidadão que acertasse o preço do mesmo, a época lançado por R$ 52.777, sendo o valor final, uma analogia ao logo da marca a época.

O preço competitivo do modelo, somado a forte presença na mídia por meio de propagandas nas principais emissoras abertas, gerou relevantes vendas e muita presença do modelo em sites especializados, que não demoraram a tecer críticas, algumas positivas e muitas negativas (ainda que nem sempre bem fundadas). A fabricante, a época atenta as críticas construtivas, passou a atualizar o modelo semestralmente, acrescentando itens que as publicações julgavam indispensáveis ou que necessitavam de revisão. Sua primeira atualização, ocorrida no segundo semestre de vendas do modelo, acrescentou ao modelo novas rodas e bancos com ajuste de altura, principal crítica realizada ao modelo em seu lançamento, e os preços foram revistos para cima, passando o modelo a custar R$ 54.777. o modelo seguiu em boas vendas para um modelo importado, apesar de não ser dotado de câmbio automático, crítica que persistiu até a linha 2018.


Crise econômica do Brasil, InovarAuto e o impacto nas vendas de carros importados

Desde 2008 o mundo vinha apresentando forte crise econômica, e aos poucos ela foi afetando diversos países do mundo, entre eles o Brasil, panorama negado pelos governos que estiveram a frente de nosso país, todavia, ao final de 2013 já não dava mais para esconder e a crise afetou em cheio nosso mercado, mas ainda que com menos fôlego, a Lifan seguia com suas operações em dia, lançando outros dois modelos no mercado brasileiro. O X60 seguia estável, apesar da crise, todavia no ano de 2013, foi lançado o InovarAuto, programa governamental que impactou as vendas de carros importados como um todo, e mesmo o modelo da Lifan sendo montado no Mercosul, estando isento das sobretaxas, mas ainda sim sofreu com o aumento de impostos para carros importados.


Regionalização de peças e problemas crônicos gerados pelo combustível

Para melhor atender o mercado brasileiro, a Lifan iniciou um processo de fabricação regional de algumas peças de alto volume para o modelo, contratando fornecedores brasileiros para a tal atividade, todavia esqueceu de modificar algumas partes mecânicas do modelo que vieram a ser seriamente impactadas pelo aumento do etanol em nosso combustível promulgado pelo Governo Dilma, como o catalizador, que de origem chinesa, não era adequado ao nosso combustível, uma vez que no Mundo, o carro era feito apenas para rodar com gasolina, o que devido ao combustível misto, o mesmo apresentava entupimento e desgaste prematuro. A Lifan nunca assumiu o problema crônico e não fez recall para esta ocorrência. Ainda sim o Lifan X60 colecionou dois recalls em sua hitória. O primeiro foi devido a identificação de "não conformidade no processo de fabricação do flexí­vel de freio traseiro, que pode provocar, em alguns casos, vazamento e perda de fluido de freio necessitando maior esforço para frenagem, com o risco de possível perda da capacidade de frenagem do veí­culo, com risco de acidentes, lesões graves e até fatais aos ocupantes do veí­culo como a terceiros", conforme palavras da fabricante. Este recall afetou as unidades 2013/2013. Posteriormente também foi identificado uma falha fabril em um lote de cintos de segurança que equiparam o modelo entre os anos de 2013 e 2014, o que ensejou o segundo recall do modelo, afetando mais de 6.000 unidades do modelo. O modelo também sofreu com problemas de baixa durabilidade de peças comuns como embreagem e borrachas das portas, sem o devido atendimento por parte das concessionárias representantes da fabricante.


A queda no mercado, e facelift que não agradou



Em 2015, apesar da crise econômica e também política, o mercado de SUV's compactos no Brasil teve fortes mudanças, com a entrada da Jeep e da Honda no segmento, com os modelos Renegade e HR-V respectivamente, e com isso a Lifan foi severamente impactada, juntamente com a Renault e Ford então líderes do segmento até 2014. Para tentar sobreviver a chegada de novos concorrentes, a Lifan realiza um facelift no X60, com troca de grande frontal, lanternas e rodas, bem como lançamento de versão com teto solar e rodas maiores. Os novos preços, iniciais em R$ 59.990, embora competitivos, não foram argumentos suficientes para manter o modelo em voga, somado a também falta de uma opção com câmbio automático, que se tornou a preferência no segmento. O novo design frontal foi bastante criticado, pois o X60 perdeu sua identidade, com a nova grade, que tinha um ar genérico e pouco atrativa.


A última tentativa e a chegada do câmbio CVT

Diante do panorama negativo do modelo para o mercado, a Lifan trabalhou para desenvolver a versão CVT do X60, todavia seu lançamento ocorreu apenas ao final de 2017, como linha 2018, quando o mercado já havia ganho outros dois concorrentes de peso no segmento, os modelos Hyundai Creta e Nissan Kicks. Para o lançamento do novo X60 CVT, a Lifan promoveu o segundo facelift no modelo, adequando-o a nova identidade visual da marca no mundo, todavia este não agradou o público, uma vez que o modelo perdeu a marcante característica de seu lançamento, que era parecer um carro de categoria superior. junto com este facelift, onde o X60 ganhou novo painel, novas rodas e nova bancada, houve um profundo aumento de preços, onde a versão de entrada chegou a R$ 67.990 e a topo de linha, agora equipada com CVT, chegou a R$ 77.990, preço até então não praticado em nenhum carro de passeio de marca chinesa. O acabamento melhorou, todavia não foi convincente o suficiente para justificar tal aumento de preços, o que acabou por afugentar o público. Para piorar a situação do modelo, as unidades pré-série do X60 CVT tiveram inúmeros relatos de problemas em subidas, onde o câmbio entrava em modo de segurança e não acoplava nestas condições, deixando o carro imobilizado em ladeiras.

Com vendas em baixa, perda de relevância mercadológica do X60, comado com o fracasso comercial dos demais modelos da marca (a picape Foison e o sedan 530), a Lifan perdeu quase metade de suas concessionárias, sofreu com aumento de custos em seu pós-venda, culminando no aumento dos valores de revisões e das peças. Para tentar se re-estabelecer, a fabricante deve lançar o Lifan X70, que é a nova geração do modelo X60 na China. Enquanto trabalha na homologação do novo modelo, a Lifan segue com o X60 CVT, e também lançou o X80, SUV grande de sete lugares, concorrente de Kia Sorento, Hyundai Gran SantaFé e Jeep Grand Cherokee, e o mesmo segue com baixas, porém rentáveis vendas, o que permite a continuidade da marca, que tenta convencer a sua rede de concessionários a permanecer com ela.


Matéria: Dimithri Vargas
Imagens e vídeos: Lifan
 

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